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sábado, 11 de janeiro de 2025




O SILÊNCIO DE MIM MESMO

(poesia em prosa)

 

 

                   Ensimesmado, no seio mais profundo do silêncio de mim mesmo, indaguei meio assim a ermo, do porquê dessa solidão pimenta, rabugenta, que só inventa desculpas birrentas para ficar assim como estou, no seio mais profundo de mim mesmo. E só isso mesmo.

                   Nesse instante vi bichinhos bem peludos, me arrodeando felpudos, alguns até barrigudos, felizes abanando seus rabos sortudos. É a força desse silêncio do profundo de mim mesmo que atrai os caninos e bichanos, pois, sensitivos, são compreensivos da energia difundida e por eles recebida. Amor silente de todos é o amor mais potente, insipiente, vai profundo e contente ao sentimento inconsciente, mas em todos presente, do Deus Onipotente, Onipresente e Onisciente. O do coração, de quem todos somos crentes.

                   O caminho é solitário, precário e arbitrário, mas é sempre necessário esse trabalho missionário, de muito esmero e às vezes mário, de ter a si mesmo explorado e tudo seu a si, inteiro, revelado. É desde aí que vem o fruto destinado, que passou do que era desejado até o efetivamente realizado. É essa a força que sente tudo o que é alado. Em todos está presente e pode ser potente a quem for revelado a fonte do conhecimento desde o estudo e o ensinamento. Basta querer, não é preciso ser sortudo. Em você também está presente o Tudo.

                   O segredo de tão grande arvoredo, que desde si pode ser canal brotando, se constrói no dia a dia, às más coisas silenciando e às boas praticando, porque o praticado é o arado do que de verdade é sagrado. O contrário só traz o desagrado. A descoberta de si pode parecer deserta, mas se ficar alerta chegará na descoberta de que a sabedoria, em si, pode ser aberta. Essa verdade é certa. Não perca essa oferta!

                   Naquele tórrido momento em que o vazio sentimento de só e só o desalento em que tentarem nos despir de todo e qualquer portento, nosso dever é praticar o desprendimento. Sem rancor e livre de qualquer tormento. Abra mão do argumento, renuncie ao julgamento e silente se afaste de todo infeliz procedimento. Tudo isso sem nenhum lamento. Não se iluda com o adiamento, pois feliz só quem praticar esse raiz entendimento.

 

Jorge Emicles

https://youtu.be/MvkkvjzjIaA?si=6RNypHedv20Qw8Er